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Comparações Heuréticas: A leve satisfação de um merengue

Tive a ideia para esta espécie de rubrica quando ouvi a maravilhosa comparação:

“É uma vergonha vender a TAP por metade de Jorge Jesus.”, por Rui Paulo Figueiredo.

 

Isto lembrou-me de todas as comparações heuréticas que temos ouvido nos últimos tempos, especialmente pela boca da malta do futebol e da malta da política. Como por exemplo:

 "Todos nós, portugueses, temos um bocadinho do Cristiano Ronaldo dentro de nós e é isso que está a fazer a diferença, neste momento, em Portugal.", por Pires de Lima.

 

Vai daí, tive a ideia idiota de criar as minhas próprias comparações heuréticas – e um pouco mais extrapoladas –, sendo a primeira: A leve satisfação de um merengue.

Sinto que nos últimos anos – ou décadas – temos encarado as nossas vidas como se de um merengue se tratasse. Para fazer um merengue partimos os ovos e desperdiçamos a gema – o vitelo que contem os ingredientes para alimentar o embrião –, batemos as claras até se encherem de bastante ar, juntamos o açúcar – essa substância deliciosa que esconde as maleitas do seu excesso – e juntamos alguma acidez de um limão.

Assim tenho visto muitas vidas. Com o seu núcleo de valores desperdiçado, personalidade plena de ar (ou vazia mesmo) e sem grande conteúdo. Vidas às quais se acrescentam detalhes que as adoçam ou embelezam e que, em excesso, se tornam autodestrutivas. E, claro, fazendo jus ao típico humano, precisamos que sejam regadas de alguma amargura e queixume.

Assim são algumas vidas: comparáveis à leve satisfação de um merengue.

 

 

Ordinarices: A Incerteza do Ponto no Horizonte

Sou o tipo de pessoa que precisa de um ponto no horizonte para fixar o olhar e atrás do qual possa calcorrear a estrada da vida. Gosto de ter objetivos e projetos e planos. Gosto de me entusiasmar com uma meta e fazer-me ao caminho cheio de garra.

Ao mesmo tempo, sou o tipo de pessoa que não gosta de ficar em “águas de bacalhau”, a marinar à espera da possibilidade de dar mais um passo. Se surgem situações que apenas dificultam e que, por muito mais que tente, não me deixam "passar da cepa torta”, o entusiasmo desvanece-se e a inércia instala-se. O tal pontinho no horizonte – no qual o meu olhar se fixava – começa a aparecer cada vez mais turvo, até que a sua indefinição me faz perder o interesse e passa ao esquecimento.

Se trilho o caminho com perfeição e excelência, a passada acelera e até esmaga as pedrinhas e os pedregulhos que vão surgindo. Se a passada for manca, demonstrando alguma inaptidão, abandono de imediato aquele caminho e aquele ponto e observo novamente o horizonte à procura de um novo objetivo. De que vale concretizar algo se não for um ato de plena satisfação? Eu desvalorizo as minhas conquistas imperfeitas ao ponto de me arrepender de ter lutado por elas. E como há quem diga que arrependimento mata, prefiro não arriscar e decidir desistir. Mas esta capacidade de desistir é algo que, em alguns casos, ainda tento aprofundar.

Para mim, atingir o objetivo – momento em que o tal pontinho no horizonte passa a ser um ponto a montante do meu caminho – é um motivo de festejo, mas tragicamente efémero, pois passado pouco tempo sinto a necessidade de vasculhar o horizonte à procura de um novo pontinho. Deixo de dar importância àquele marco, de tal modo que às vezes me esqueço de o ter perseguido, concretizado e festejado. A vontade de encontrar um novo rumo para o caminho é superior à reminiscência da vitória.

Por vezes o horizonte enche-se de tantos pontinhos que mais parece uma paisagem em pontilhismo exacerbado. E a yellow brick road torna-se um elaborado labirinto de encruzilhadas e becos sem saída e caminhos paralelos e perpendiculares. Nessas alturas, persigo vários pontinhos ao mesmo tempo, com os pés em vários caminhos, os olhos em movimento estrábico e a mente num ato de malabarismo.

Outras vezes o horizonte está tão desfocado que não consigo encontrar um único pontinho. Ou então os pontinhos que vou focando não me motivam o suficiente para o meu olhar se fixar neles. E sem um objetivo ou uma meta ou um alvo a estrada deixa-se envolver pela escuridão e nem sei qual o passo a dar a seguir. É a incerteza do ponto no horizonte.

Neste momento, sinto que estou a precisar de uns binóculos com zoom, estabilizador e focagem automática.

 

 

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